Seu paciente já decidiu usar — por importação, farmácia ou associação. E, na maioria das vezes, decidiu também não te contar. Este guia mostra o que perguntar, o que a evidência diz, o que a norma manda e o que registrar quando isso chegar na sua consulta. Sem virar prescritor.
Organizado por um médico clínico que prescreve fitocanabinoides há 6 anos, com mais de 200 pacientes — escrito de médico para médico: para quem não prescreve, mas atende quem usa.
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873 mil brasileiros já usam o fitoterápico que mais cresceu em prescrição no país — 354 mil por importação, 293 mil por farmácia e 226 mil por associação de pacientes (Fonte: Kaya Mind, Anuário 2025). E a maior parte dessa decisão acontece fora do seu consultório: num levantamento americano, o uso registrado em prontuário era cerca de 7 vezes menor que o relatado pelos próprios pacientes em pesquisa confidencial (JAMA Netw Open, 2022).
Indicação do vizinho, do grupo da família, do YouTube. Quando chega em você, o uso já começou.
Importação, farmácia e associação — cada uma com documento, rótulo e regra diferentes. O guia mostra como reconhecer cada uma.
Um INR fora do padrão sem mudança de receita — e a causa não está no prontuário.
Não houve cadeira de canabinoides na graduação. A conta dessa lacuna chega na sua consulta, não na faculdade.
O paciente que usa as "gotinhas da planta medicinal" aprendeu a esperar uma cara feia. Então, quando você pergunta "toma mais alguma coisa?", ele responde "não, nada" — e sente que está sendo sincero: na cabeça dele, "aquilo é natural", não é remédio.
E existe um detalhe que quase nenhum médico sabe: quem compra o produto regularizado assina um termo (Anexo II da RDC Anvisa 1.015/2026) reconhecendo, na própria voz, que "o produto de Cannabis pode interferir com as medicações que estou utilizando". Ele assinou isso no consultório de outro profissional — e essa informação nunca chega até você. O guia mostra qual é esse documento, o que ele diz e o que fazer com ele.
Mapeadas em revisão publicada (Kocis & Vrana, 2020) — 57 delas de janela terapêutica estreita. Potencial de interação não é sentença: é motivo para perguntar e registrar.
Medido em estudo clínico com canabidiol (Clin Pharmacol Ther, 2023). No mesmo estudo: +77% na losartana e +56% no midazolam. Remédios de gente comum, não exceções exóticas.
A evidência com anticoagulante é de qualidade muito baixa e com doses muito acima do uso comum — e é exatamente por isso que a resposta certa é conversa e registro, não alarme.
Meta-análise de 8 estudos (2025). Em cirurgia oral, um estudo retrospectivo com 57 usuários mediu mais propofol, midazolam, cetamina e fentanil — dado que importa a quem opera, seda ou encaminha.
Todas as fontes, com autor, ano e PMID, estão declaradas no rodapé desta página — e dentro do guia, número por número.
Quem usa, por onde entra (importação, farmácia, associação) e por que a maioria não conta — para você não ser pego de surpresa.
Por que "toma mais alguma coisa?" recebe "não" sincero — e a pergunta de 15 segundos, com a frase que desarma o medo do julgamento.
As 139 com potencial de interação organizadas por categoria, as 57 de janela estreita destacadas — e a evidência de cada afirmação ao lado.
RDC 1.015/2026 traduzida para a consulta: qual receita vale para qual produto (a regra mudou em 2026), o que a faixa preta ou vermelha da embalagem revela, e o termo que o paciente já assinou.
O roteiro de orientação espelhado no que a própria norma exige do prescritor (sonolência, direção, "não é medicamento") — e a fronteira do que cabe a quem não prescreve.
Estruturas de registro com lacunas — você marca só o que de fato ocorreu, do seu jeito, no seu prontuário. Documentar, orientar e registrar em 60 segundos.
O fluxo inteiro numa página imprimível, para deixar na mesa e usar na próxima consulta.
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A pergunta, a checagem e o registro — prontos para o próximo paciente.
Dr. André Ventura é médico clínico. Prescreve fitocanabinoides há 6 anos, com mais de 200 pacientes acompanhados — e, por estar do outro lado, ouve o que os pacientes não contam para o médico que não prescreve. Também atua na gestão de assistência médica municipal, administrando rotina de médicos. Este guia é a organização, em ferramenta, do que esses 6 anos ensinaram — escrito para o colega que nunca precisou estudar o assunto e agora atende quem usa.
"Eu escrevi o material que eu gostaria de ter recebido no dia em que o primeiro paciente me contou que usava. Você não precisa prescrever — precisa saber conduzir a consulta quando isso aparecer."
Dr. André Ventura · MÉDICO · CRM/PR 45.949
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Não. É uma ferramenta de consulta: material de referência para usar durante o atendimento. Sem módulos, sem aulas, sem certificado.
Não — o guia existe exatamente para o profissional que NÃO prescreve e atende quem já usa. E se um dia você quiser prescrever, saber conduzir essa consulta é o primeiro degrau de qualquer caminho.
Sim. Este guia foi escrito de médico para médico: a linguagem, os exemplos e a parte de registro assumem a rotina do consultório médico.
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